Estou repostando um artigo que traduzi já faz quase 3 anos e coloquei no
meu antigo livejournal. Aqui segue na íntegra o post que coloquei no ar dia 4/12/08. Achei interessante repostar pois terá a ver com Shoujocasts futuros. ^^
Continuo com meu vício em Jane Austen e andei achando muita coisa legal por aí.
No
JASNA por exemplo, tem uma série de artigos interessantes que falam de tudo sobre as obras dela... Tem textos analisando cada detalhe... tem até
análise psicológica de Darcy e Lizzy segundo Jung! Tem texto explicando
porque o filme Become Jane é nada a ver, falando sobre o
monte de besteirinhas colecionaveis para os fãs nerds da Jane... enfim, uma porrada de coisa que vale a pena ler.
Tem alguns que eu achei mais interessantes e resolvi traduzir. Não sou grande tradutora, nem sei se ficou grande coisa, mas acredito que será útil para quem tem o inglês mais limitado que o meu.
Esse primeiro fala sobre o papel do riso em Orgulho e Preconceito. É muito interessante! ^__^
Elizabeth usando uma tática milenar que eu tb já usei muito: compartilhar
sua vergonha para se sair bem da história hahaha
Rindo de Mr. Darcy: inteligência e sexualidade em
Orgulho e Preconceito
Escrito por Elvira Casal
Elvira Casal (email:
ecasal@frank.mtsu.edu) leciona inglês na Universidade do Tennessee em Murfreesboro.
Traduzido por lina inverse
O texto em inglês pode ser lido aqui
Bem no início de Orgulho e Preconceito, Miss Bingley diz que jamais poderia caçoar ou rir de Mr. Darcy: “Caçoar de serenidade de temperamento e presença de espírito! Não, não – Acho que ele pode nos desafiar nessa área. E quanto a rir, não vamos nos expor ao ridículo de rir sem motivo.” A resposta de Elizabeth é significativa: “’Não é possível rir de Mr. Darcy!’ exclamou Elizabeth. ‘Essa é uma qualidade incomum, e espero que continue a ser incomum, pois seria muito triste para mim conhecer muitas pessoas que a possuam. Gosto muito de rir.’”
Implícito na afirmação de Miss Bingley que não se pode rir de Mr. Darcy está o reconhecimento da superioridade social e intelectual do mesmo. Implícito na declaração de Elizabeth de que gosta muito de rir, está não somente a recusa em ser impressionada pela superioridade de Mr. Darcy, como também sua crença no poder do riso.
O papel do riso em Orgulho e Preconceito é muito interessante. Por um lado, o romance parece ser uma celebração ao riso. Desde a famosa primeira sentença, o leitor é convidado a rir das ironias e das expectativas da percepção humana. Por outro lado, o enredo da história parece mostrar as limitações do riso como resposta à experiência humana. O riso de Mr. Bennet está intimamente ligado a sua abdicação da responsabilidade, e a personagem que mais ri é a Lydia.
No fim do livro, quando Elizabeth escreve para sua tia, “Estou até mesmo mais feliz do que a Jane; ela somente sorri, eu rio”, o riso de Elizabeth deixou de ser um riso de diversão e passou a ser um riso de satisfação. No processo ela se confrontou com fatos nada risíveis, como os defeitos de seus pais, a fuga de Lydia e por fim, sua própria vulnerabilidade como mulher em uma sociedade patriarcal.
Ela teve que rever sua opinião sobre o Mr. Darcy e admitir a si mesma que gostaria de ser desposada por ele. Entretanto, ela não deixou de achar que Mr. Darcy, assim como todo mundo, às vezes pode ser objeto de riso. Nas últimas páginas vemos a surpresa de Georgiana Darcy em relação ao modo “animado e brincalhão” no qual Elizabeth se dirige a ele. Mas o que “rir de Mr. Darcy” significa para Elizabeth?